O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi divulgado no relatório trimestral do banco e reflete principalmente o forte aumento do custo do crédito e da inadimplência da carteira.
Segundo o banco, o custo do crédito chegou a R$ 18,9 bilhões no trimestre, alta de 85,8% na comparação anual. O avanço das provisões para perdas com empréstimos pressionou os resultados e derrubou a rentabilidade da instituição.
O retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL), um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado, caiu para 7,3% no 1T26. No mesmo período de 2025, o indicador estava em 16,7%. A queda mostra uma piora relevante na capacidade do banco de gerar retorno aos acionistas.
Mesmo com o lucro menor, a margem financeira bruta do Banco do Brasil (BBAS3) cresceu 14,8% em 12 meses, atingindo R$ 27,4 bilhões. O banco afirmou que o avanço foi impulsionado principalmente pelo crescimento das operações de crédito para pessoas físicas e pelo aumento das receitas financeiras. veja. tambem >
A carteira de crédito expandida encerrou março em R$ 1,3 trilhão, alta de 2,2% em relação ao ano anterior. O principal crescimento veio da carteira de pessoas físicas, que avançou 7,8%, puxada pelo crédito consignado e pela linha “Crédito ao Trabalhador”.
Já a carteira de pessoas jurídicas apresentou retração. O saldo caiu 2,4% em 12 meses, refletindo redução nas operações com pequenas, médias e grandes empresas.
Agro cresce no Banco do Brasil
No agronegócio, segmento em que o Banco do Brasil (BBAS3) possui forte atuação, a carteira chegou a R$ 418,4 bilhões, com crescimento de 3% no trimestre e em 12 meses. O relatório também destacou que as operações ligadas ao programa BB Regulariza Agro somaram R$ 37,9 bilhões.
A inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,05%, ante 3,63% registrados um ano antes. O aumento indica deterioração da qualidade da carteira de crédito em meio ao cenário de juros elevados e dificuldades em alguns setores da economia.
As despesas administrativas também cresceram. O banco informou gastos de R$ 10 bilhões no trimestre, alta de 5,5% em 12 meses, influenciada pelo reajuste salarial e por investimentos em tecnologia e cibersegurança.
Mesmo diante do resultado mais fraco, o Banco do Brasil (BBAS3) manteve suas projeções para 2026. A instituição preservou o guidance para crescimento da carteira de crédito, receitas de serviços e margem financeira.
O mercado, porém, deve acompanhar principalmente o avanço das provisões, a piora da inadimplência e a forte redução da rentabilidade do banco nos próximos trimestres.



