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Banco do Brasil (BBAS3) corta projeções após piora da crise no agro e prevê até R$ 70 bilhões em perdas

O Banco do Brasil reduziu suas projeções para 2026 após identificar agravamento da inadimplência no agronegócio, principal foco

Banco do Brasil agro — plantação de soja ao pôr do sol com colheitadeira ao fundo e documentos financeiros sobre mesa, representando a crise no agronegócio e o impacto nos resultados do banco
Imagem: Produção própria / Valious

O Banco do Brasil reduziu suas projeções para 2026 após identificar agravamento da inadimplência no agronegócio, principal foco de risco da instituição. O banco informou, durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, que agora espera um custo de crédito entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões no ano. O resultado veio após um trimestre marcado por lucro menor, recuperação abaixo do esperado de créditos problemáticos e continuidade das dificuldades no setor rural.

O lucro líquido do banco ficou em R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre, abaixo dos R$ 5,7 bilhões registrados no trimestre anterior e distante dos R$ 7,4 bilhões vistos antes do agravamento da crise no agro. A rentabilidade sobre patrimônio (ROE) caiu para 7,3%, um dos níveis mais baixos dos últimos trimestres.

Crise no agronegócio pressiona resultado do Banco do Brasil

Segundo executivos do banco, o principal problema continua concentrado na carteira rural. A instituição afirmou que ainda observa risco elevado nas operações ligadas ao agronegócio, especialmente em contratos mais antigos e renegociados em ciclos anteriores. O banco também citou avanço das recuperações judiciais no setor e pontualização abaixo do esperado por parte dos produtores rurais.

Durante a apresentação, o vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Giovani Tobias, afirmou que o ajuste no guidance não foi motivado apenas pelos números do primeiro trimestre, mas principalmente pela expectativa para os próximos meses. Segundo ele, a recuperação da carteira problemática ainda “não deu tração”.

O banco informou que recuperou R$ 1,2 bilhão em créditos inadimplentes no trimestre, abaixo da expectativa interna, que variava entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões por trimestre.

Banco do brasil tenta compensar perdas com crescimento em outras áreas

Apesar da pressão sobre o lucro, o Banco do Brasil destacou crescimento em outras áreas do negócio. A margem financeira bruta subiu quase 15% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a R$ 27,4 bilhões. As receitas com operações de crédito cresceram 10,5%, para R$ 46,5 bilhões, enquanto o resultado da tesouraria avançou 23%, atingindo R$ 8,9 bilhões.

O banco também apontou expansão das linhas de crédito para pessoa física, especialmente no consignado e no chamado “crédito do trabalhador”. Segundo a instituição, essas operações possuem spreads maiores e ajudam a compensar parte das perdas no agronegócio. A carteira de crédito do trabalhador atingiu R$ 15 bilhões no trimestre.

Na carteira rural, o Banco do Brasil informou ter adotado medidas mais conservadoras para novas operações. Entre elas estão maior exigência de garantias reais, uso ampliado de alienação fiduciária e foco em clientes com melhor retorno ajustado ao risco. Segundo o banco, 92% das renegociações passaram a contar com garantia imobiliária, enquanto 72% utilizam alienação fiduciária.

Mesmo com o cenário mais difícil, o banco afirmou que mantém índice de capital considerado confortável para continuar expandindo a carteira de crédito. O índice de capital principal encerrou março em 11,59%.

Executivos da instituição também citaram preocupação crescente com o endividamento das famílias. O banco informou que reforçou provisões preventivas na carteira de cartão de crédito diante da piora observada na inadimplência de curto prazo entre pessoas físicas.

O Banco do Brasil havia suspendido suas projeções em 2025 devido à falta de visibilidade sobre a deterioração da carteira rural. Agora, ao retomar e revisar o guidance, a instituição sinaliza que ainda vê um cenário desafiador para o agronegócio em 2026, apesar de afirmar que a nova safra apresenta indicadores melhores de garantia e pontualidade.

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