A Eneva (ENEV3) informou nesta quarta-feira (13) que garantiu R$ 161 bilhões em receitas fixas entre 2026 e 2046 após vencer o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 (LRCAP 2026). A companhia também divulgou lucro líquido de R$ 522,7 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 36% na comparação anual, impulsionada pelo crescimento do negócio de gás natural, maior despacho térmico e ganhos extraordinários ligados a acordos comerciais e operações com GNL.
A empresa contratou 3,65 GW de potência nova por 15 anos e outros 1,7 GW de capacidade existente por 10 anos. Segundo a Eneva, os contratos viabilizam a expansão de novos hubs de gás no Ceará e no Sudeste, além da monetização da capacidade do Hub Sergipe.
O EBITDA consolidado da companhia chegou a R$ 1,69 bilhão no trimestre, avanço de 10,7% sobre o mesmo período de 2025. A margem EBITDA subiu para 36,1%.
O principal motor do resultado foi o avanço da operação integrada de gás natural e GNL. O Hub Sergipe registrou EBITDA de R$ 637,5 milhões, crescimento de 20,7% em um ano. A companhia afirmou que aproveitou oportunidades de arbitragem de preços no mercado internacional de gás natural liquefeito.
A comercialização de gás fora da malha também avançou. O segmento de gás off-grid gerou EBITDA de R$ 82,5 milhões no trimestre, ante R$ 55,4 milhões no mesmo período do ano passado. O crescimento ocorreu após a entrada em operação das plantas de liquefação no Complexo Parnaíba.
Outro fator que ajudou o resultado foi o maior despacho das usinas térmicas. A Eneva informou que o Complexo Parnaíba e outros ativos da companhia seguiram operando com forte geração de energia no início do segundo trimestre, reforçando a demanda do sistema elétrico nacional por geração térmica.
Eneva (ENEV3) volta ao positivo em usinas a óleo
A empresa também destacou o início dos contratos regulados das usinas a óleo contratadas no LRCAP 2021. O segmento passou de EBITDA negativo de R$ 30,6 milhões no 1T25 para resultado positivo de R$ 62,6 milhões no 1T26.
Apesar do crescimento operacional, parte relevante do lucro veio de efeitos não recorrentes. A Eneva reconheceu impacto líquido positivo de R$ 256,4 milhões relacionado principalmente a acordos comerciais e encerramento de disputas arbitrais.
Ao mesmo tempo, a companhia registrou piora no resultado financeiro. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 431,7 milhões, alta de 70,4% nas perdas na comparação anual, pressionado principalmente por efeitos cambiais e aumento da dívida.
A dívida líquida da Eneva encerrou março em R$ 18,5 bilhões, crescimento de 27,9% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, a empresa afirmou que mantém espaço no balanço para sustentar os investimentos previstos nos novos projetos.
Os investimentos da companhia somaram R$ 2,05 bilhões no trimestre, alta de 138,6%. Parte relevante dos recursos foi destinada ao projeto Azulão 950 e à compra de equipamentos para novas térmicas contratadas no leilão de capacidade.
A Eneva também concluiu a emissão de R$ 2,4 bilhões em debêntures para financiar a expansão dos projetos de geração e gás natural.
Por outro lado, nem todos os segmentos tiveram desempenho positivo. As térmicas do Espírito Santo registraram forte queda após o encerramento dos contratos do PCS. O segmento saiu de EBITDA positivo de R$ 439,6 milhões no primeiro trimestre de 2025 para resultado negativo de R$ 8,6 milhões neste ano.
Além dos resultados financeiros, a companhia anunciou a venda da UTE Pecém II para a Diamante Geração de Energia em uma operação avaliada em R$ 872,3 milhões. O acordo também envolve o desenvolvimento de um terminal de GNL no Ceará, considerado estratégico para a expansão da Eneva no mercado de gás natural. Veja também: Eneva Pecém II: venda de R$ 872 milhões marca mudança estratégica



