O resultado fiscal de março mostrou piora, com aumento dos déficits e avanço da dívida pública. O movimento foi puxado principalmente pela reversão do resultado primário e pela alta dos juros, formando um quadro geral negativo, embora alguns fatores tenham ajudado a aliviar parte da pressão.
O setor público registrou déficit primário de R$80,7 bilhões em março, revertendo o superávit de R$3,6 bilhões no mesmo mês de 2025. Em 12 meses, o déficit acumulado chegou a R$137,1 bilhões (1,06% do PIB). Os juros nominais somaram R$118,9 bilhões no mês, acima dos R$75,2 bilhões de um ano antes, e atingiram R$1,08 trilhão em 12 meses (8,35% do PIB). Com isso, o déficit nominal foi de R$199,5 bilhões em março e R$1,217 trilhão no acumulado em 12 meses (9,41% do PIB).
Entre os pontos mais favoráveis, o crescimento do PIB nominal ajudou a reduzir parcialmente a relação dívida/PIB, com impacto de -0,4 p.p. na dívida líquida e -0,5 p.p. na dívida bruta no mês. O câmbio também teve efeito levemente positivo sobre a dívida líquida, enquanto o déficit das empresas estatais permaneceu baixo, em R$0,5 bilhão.
Por outro lado, o principal peso veio da piora do resultado primário e da alta dos juros. A mudança de superávit para um déficit elevado chama atenção, e o avanço dos juros ampliou o déficit nominal. A dívida seguiu em alta: a dívida líquida chegou a 66,8% do PIB e a dívida bruta a 80,1% do PIB, ambas com aumento no mês.
Esse desempenho reflete alguns fatores principais. O aumento da dívida elevou o custo dos juros, enquanto as operações de swap cambial passaram de ganho de R$9,9 bilhões em março de 2025 para perda de R$6,5 bilhões em março de 2026. Além disso, o maior número de dias úteis no mês contribuiu para a alta dos juros, junto com emissões líquidas de dívida.
Na comparação com períodos anteriores, o cenário mostra piora. O resultado primário mudou de superávit para déficit, os juros cresceram em valor e em proporção do PIB, e os déficits acumulados aumentaram na margem. A dívida pública também mantém trajetória de alta no curto prazo.
No geral, o resultado mostra um quadro fiscal mais pressionado, com piora em diferentes frentes, embora ainda existam fatores que suavizam parte do movimento. A leitura tende a ser negativa, sem indicar mudança brusca fora do padrão recente.
Resumo: março mostra piora fiscal, com déficit maior, juros mais altos e dívida em alta.



