O mercado financeiro voltou a elevar as projeções para a inflação no Brasil e passou a prever uma taxa Selic ainda mais alta em 2026, segundo o relatório Focus divulgado nesta sexta-feira (15) pelo Banco Central do Brasil. A expectativa para o IPCA subiu de 4,91% para 4,92%, marcando a décima alta consecutiva nas estimativas do mercado, enquanto a previsão para os juros básicos avançou de 13% para 13,25% ao ano.
O movimento reforça a avaliação de que o Banco Central pode manter os juros elevados por mais tempo para tentar conter a inflação. O relatório reúne projeções de bancos, corretoras e consultorias para os principais indicadores da economia brasileira.
A deterioração das expectativas ocorre após semanas seguidas de revisões para cima no relatório Focus. No início de maio, o mercado já havia demonstrado preocupação com a inflação persistente e os juros elevados no país. Leia também: Mercado eleva projeção da inflação e mantém temor com Selic alta
Juros altos e inflação persistente pressionam cenário econômico em 2026
Além da inflação mais alta, o mercado segue vendo crescimento econômico limitado. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 ficou estável em 1,85%, praticamente no mesmo nível das últimas semanas.
O cenário desenhado pelos analistas combina inflação resistente, juros elevados e atividade econômica fraca. Economistas avaliam que esse ambiente reduz o ritmo do consumo, encarece o crédito e dificulta investimentos de empresas.
A expectativa para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20, abaixo dos R$ 5,30 estimados há quatro semanas. Mesmo com a melhora no câmbio, as projeções para inflação continuam pressionadas.
Outro destaque do relatório foi a forte alta do IGP-M, índice usado em contratos de aluguel. A projeção passou de 4,66% para 5,63% em quatro semanas, indicando maior pressão sobre reajustes de contratos e custos empresariais.
O avanço das projeções inflacionárias não é recente. Em março, analistas já vinham elevando as estimativas para inflação e juros diante das pressões sobre os preços e das incertezas fiscais. Veja como o mercado elevou o IPCA para 4,17% e a Selic para 12,50%
O relatório também mostrou preocupação com a situação fiscal do país no longo prazo. A dívida líquida do setor público deve atingir 79% do PIB em 2029, segundo as estimativas do mercado.
Apesar da piora nas projeções para 2026, o mercado ainda espera desaceleração gradual da inflação nos anos seguintes. Para 2028, a estimativa do IPCA ficou em 3,65%, enquanto para 2029 a projeção permaneceu em 3,50%.
O cenário de inflação persistente vem sendo acompanhado pelo mercado desde o início do ano, quando o relatório Focus já mostrava deterioração gradual das expectativas econômicas. Entenda a alta das projeções de inflação e juros no relatório de março
O relatório Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central e funciona como um dos principais termômetros das expectativas do mercado para, juros, dólar, crescimento econômico e contas públicas. Relatório Focus do Banco Central



