O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação em 2026, enquanto manteve expectativas de juros elevados e crescimento econômico fraco, segundo o relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira (8). As estimativas mostram aumento do IPCA, manutenção da Selic em patamar elevado e melhora nas projeções para o dólar.
A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 4,89% para 4,91%, acumulando a nona alta consecutiva nas expectativas do mercado. O índice segue acima da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. Ao mesmo tempo, a previsão para a taxa Selic permaneceu em 13% ao ano, indicando que investidores e analistas ainda esperam uma política monetária restritiva por mais tempo.
Já o Produto Interno Bruto (PIB) teve projeção mantida em 1,85% para 2026, sinalizando expectativa de crescimento econômico limitado nos próximos meses.
O relatório também mostrou melhora nas expectativas para o câmbio. A projeção para o dólar caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20 em 2026. O movimento indica percepção mais positiva sobre o fluxo cambial e a entrada de capital estrangeiro no país.
Inflação elevada e juros altos seguem no radar
Apesar da melhora do câmbio, os dados de inflação continuam pressionando o cenário econômico. O mercado elevou novamente as projeções para o IGP-M, indicador usado em contratos de aluguel e reajustes. A expectativa para o índice passou de 5,50% para 5,60% em 2026.
Analistas acompanham principalmente a combinação entre inflação resistente, juros elevados e crescimento fraco. O cenário aumenta a pressão sobre o Banco Central, que segue tentando controlar os preços sem provocar desaceleração mais intensa da economia.
Os dados de curto prazo também indicaram pressão inflacionária persistente. A expectativa para o IPCA de maio subiu para 0,40%, marcando a quinta alta seguida nas projeções semanais.
Na área fiscal, o mercado manteve preocupação com a trajetória da dívida pública. A previsão para a dívida líquida do setor público continua elevada nos próximos anos, enquanto as estimativas para o resultado primário seguem negativas.
Por outro lado, o relatório trouxe sinais positivos no setor externo. A previsão para déficit em conta corrente melhorou e as estimativas para investimento direto no país permaneceram elevadas, próximas de US$ 75 bilhões em 2026.
O relatório Focus reúne semanalmente projeções de bancos, corretoras e instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira. Os dados são usados pelo mercado para acompanhar expectativas sobre inflação, juros, atividade econômica e contas públicas.



