A Copel registrou crescimento nos principais indicadores financeiros do primeiro trimestre de 2026, impulsionada pelo desempenho comercial e pela alta dos preços da energia no mercado de curto prazo. A companhia informou nesta terça-feira que o EBITDA recorrente somou R$ 1,75 bilhão entre janeiro e março, alta de 16,7% na comparação com o mesmo período de 2025.
O lucro líquido recorrente da empresa alcançou R$ 638,9 milhões no trimestre, avanço de 10,7% em um ano. Já o lucro líquido reportado ficou em R$ 694 milhões, crescimento de 4,4%.
Segundo a Copel, o resultado foi beneficiado principalmente pela estratégia comercial da companhia, pela elevação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e pelo aumento das receitas no mercado de curto prazo de energia.
O PLD médio do submercado Sul subiu para R$ 359,40 por megawatt-hora (MWh) no primeiro trimestre de 2026, mais que o dobro dos R$ 161,87/MWh registrados um ano antes.
A receita operacional líquida recorrente da empresa chegou a R$ 6,9 bilhões, alta de 19,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
O segmento de geração e transmissão foi o principal destaque do trimestre. O EBITDA recorrente da área avançou 30,7%, para R$ 1,02 bilhão.
A empresa afirmou que o resultado foi impulsionado pelo aumento das receitas com contratos bilaterais, maior volume de energia vendida e ganhos nas operações realizadas no mercado de curto prazo.
Mesmo com o avanço financeiro, a companhia enfrentou um cenário operacional mais desafiador na geração de energia.
A geração hídrica caiu 39,8% no trimestre, enquanto a geração eólica recuou 16,6%. A Copel atribuiu o desempenho ao cenário hidrológico menos favorável e ao aumento do curtailment, quando usinas precisam reduzir a produção por limitações do sistema elétrico.
O curtailment saltou para 20,7% no primeiro trimestre, ante 8,8% no mesmo período do ano passado.
O GSF, indicador que mede o nível de geração hidrelétrica do sistema, também caiu para 92%, contra 107,7% no primeiro trimestre de 2025.
Os custos operacionais da companhia avançaram no período. O gasto com compra de energia para revenda subiu 37,7%, pressionado principalmente pelas aquisições no mercado de curto prazo e pelo aumento da energia comprada para compensar a menor geração.
Além disso, o resultado financeiro da empresa piorou 9,6% no trimestre, refletindo o aumento das despesas com dívida.
A dívida total consolidada da Copel chegou a R$ 23,3 bilhões no fim de março, alta de 16,5% em relação ao encerramento de 2025. A alavancagem da companhia ficou em 2,8 vezes dívida líquida sobre EBITDA.
Mesmo com o aumento do endividamento, a empresa afirmou que o indicador permanece dentro da faixa considerada adequada pela política financeira da companhia.
Os investimentos da Copel somaram R$ 581,7 milhões no trimestre, abaixo dos R$ 678,2 milhões registrados um ano antes. A maior parte dos recursos foi direcionada para modernização e reforço da rede de distribuição.
A companhia também anunciou pagamento de R$ 706 milhões em juros sobre capital próprio e confirmou distribuição de R$ 1,35 bilhão em dividendos.



