A indústria brasileira voltou a crescer em abril, com o PMI subindo para 52,6, retornando ao campo positivo após meses de retração e registrando o melhor desempenho em mais de um ano.
A alta do PMI, que saiu de 49,0 em março, indica retomada da atividade industrial, impulsionada principalmente pelo aumento da produção, que voltou a crescer pela primeira vez em um ano. O movimento foi sustentado pela demanda externa, com as exportações registrando o avanço mais forte em cerca de um ano e meio.
O desempenho internacional ajudou a compensar a fraqueza do mercado interno. Os novos pedidos totais seguiram em queda, acumulando treze meses consecutivos de recuo, ainda que em ritmo mais moderado. Segundo empresas consultadas, condições econômicas domésticas mais difíceis e maior concorrência continuam limitando as vendas no país.
Ao mesmo tempo, o cenário de custos trouxe pressão adicional. Os preços de insumos registraram uma das maiores altas em mais de duas décadas, influenciados principalmente pela guerra no Oriente Médio, que elevou custos de frete, combustíveis e matérias-primas. Apesar do repasse parcial aos preços finais, muitas empresas relataram compressão das margens.
Diante desse ambiente, indústrias reforçaram estoques como forma de proteção contra novas altas e possíveis interrupções no fornecimento. Ainda assim, os prazos de entrega se alongaram, atingindo o pior nível em quase quatro anos, refletindo gargalos na cadeia de suprimentos.
Mesmo com os desafios, houve aumento no emprego, com contratações no ritmo mais forte desde o início de 2025, acompanhando uma melhora gradual na confiança das empresas.
Apesar da retomada, o setor ainda enfrenta custos elevados e demanda interna fraca. Por outro lado, a força das exportações e a expectativa de melhora no ambiente global sustentam uma perspectiva mais positiva para os próximos meses, especialmente com possível alívio nas tensões externas.



