A Auren registrou prejuízo líquido de R$ 601,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 54 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (6) e reflete a queda na geração de energia hidrelétrica, eólica e solar, além do desempenho mais fraco da comercialização de energia. Apesar disso, a companhia conseguiu compensar integralmente os impactos do curtailment com ganhos de modulação no período.
O EBITDA ajustado da empresa somou R$ 925,9 milhões entre janeiro e março, queda de 23,2% na comparação anual. Já a receita líquida cresceu 4,1%, para R$ 3,07 bilhões.
Segundo a Auren, o trimestre foi marcado por um cenário mais desafiador no setor elétrico, com menor geração hidrelétrica no MRE, redução do recurso eólico e solar e maior volatilidade nos preços de energia.
A geração hidrelétrica caiu 20% no período, enquanto a eólica recuou 16% e a solar teve baixa de 8,9%. No consolidado, a geração própria da companhia diminuiu 18,3%.
Ao mesmo tempo, a operação de comercialização apresentou piora relevante. O segmento saiu de um EBITDA positivo de R$ 161,7 milhões no primeiro trimestre de 2025 para resultado negativo de R$ 23,8 milhões neste ano.
Mesmo com o cenário mais pressionado, a companhia destacou os ganhos de modulação de R$ 97,2 milhões no trimestre. O valor superou os impactos do curtailment, que totalizaram R$ 86,2 milhões, gerando saldo líquido positivo de R$ 11 milhões.
A empresa afirmou que o resultado foi favorecido pelo perfil diversificado do portfólio e pela maior volatilidade do PLD, o preço de liquidação das diferenças no mercado de energia.
Os preços da energia tiveram forte alta no trimestre. No submercado Sudeste/Centro-Oeste, o PLD médio subiu quase 90%, passando de R$ 162 para R$ 308 por MWh. No Nordeste e Norte, as altas superaram 380%.
A volatilidade intraday também aumentou. No SE/CO, saiu de 19% para 45% em um ano.
Na parte operacional, a Auren destacou melhora na disponibilidade dos ativos renováveis. A disponibilidade média dos parques eólicos subiu para 94%, enquanto a dos ativos solares avançou para 98,4%.
A companhia também manteve o cronograma do projeto Cajuína 3, que terá capacidade instalada de 112,1 MW. As obras atingiram 72% de avanço físico no trimestre, com operação comercial completa prevista para dezembro de 2026.
Na área corporativa, a empresa avançou na reorganização societária. A primeira etapa da reestruturação foi aprovada e prevê a simplificação da estrutura da companhia, com concentração dos ativos hidrelétricos em um único veículo.
Mesmo com redução de R$ 135,4 milhões na dívida líquida ao longo do trimestre, a alavancagem subiu de 4,8 vezes para 5,2 vezes o EBITDA ajustado, pressionada pela queda do resultado operacional acumulado em 12 meses.
A Auren afirmou que espera estabilidade na desalavancagem ao longo de 2026, com redução mais forte da alavancagem a partir de 2027.



