A Marcopolo registrou crescimento no lucro líquido no primeiro trimestre de 2026 (1T26), mesmo com queda na receita e na produção. A companhia, sediada em Caxias do Sul, divulgou os resultados nesta segunda-feira (4), mostrando que o desempenho foi sustentado por melhora de margens e efeitos pontuais, apesar de um cenário mais fraco no Brasil e no exterior.
A empresa teve lucro líquido de R$ 264,6 milhões no período, alta de 8,8% na comparação anual. Já a receita líquida somou R$ 1,65 bilhão, recuo de 1,3%, enquanto a produção total caiu 9%, para 2.997 unidades.
Mesmo com menor volume de vendas, o EBITDA avançou 16,3%, para R$ 304,8 milhões. A margem EBITDA subiu de 15,6% para 18,4%, indicando maior eficiência operacional. A margem líquida também cresceu, passando de 14,5% para 16%.
A queda de receita foi puxada principalmente pelo desempenho mais fraco no Brasil e nas exportações. As vendas no mercado interno recuaram 3,5%, enquanto as exportações a partir do Brasil caíram 9%. Por outro lado, as operações no exterior cresceram 4,6%, ajudando a compensar parte da retração.
No operacional, o volume total de unidades vendidas caiu 8,5%. O desempenho foi pressionado pela desaceleração no mercado brasileiro, pela redução de entregas para a Argentina e pela forte queda no México, que teve retração de mais de 80% nas operações.
Apesar disso, algumas regiões tiveram resultado positivo. A operação na Austrália apresentou crescimento relevante, enquanto o mix de produtos com maior valor agregado ajudou a sustentar a rentabilidade no período.
Parte da melhora nos resultados também foi influenciada por fatores não recorrentes. O EBITDA foi impactado positivamente por cerca de R$ 45 milhões relacionados à reversão de provisões em uma coligada. Sem esse efeito, o indicador teria sido menor.
No financeiro, o resultado caiu em relação ao ano anterior, passando de R$ 109,3 milhões para R$ 69,6 milhões, mesmo com impacto positivo da variação cambial.
A companhia também apresentou consumo de caixa no trimestre. O saldo caiu de R$ 2,22 bilhões para R$ 1,83 bilhão, refletindo saídas operacionais, investimentos e pagamento de financiamentos.
No setor, o cenário segue mais fraco. A produção brasileira de carrocerias de ônibus recuou 2,1% no período, indicando um ambiente ainda pressionado para a indústria.
Para os próximos meses, a empresa projeta recuperação gradual dos volumes, acompanhando a sazonalidade do setor e a expectativa de aumento nas entregas ligadas a licitações públicas.



