Resultado positivo no mês não evita piora do déficit acumulado no ano, que atinge R$ 61,7 bilhões
O Governo Central registrou superávit primário de R$ 22,1 bilhões em dezembro de 2025, segundo o Resultado do Tesouro Nacional, divulgado nesta quarta-feira (29) pela Secretaria do Tesouro Nacional. O resultado, embora positivo, ficou abaixo do superávit de R$ 24,1 bilhões observado no mesmo mês de 2024.
Em termos reais, a receita líquida cresceu 1,6% na comparação anual, enquanto a despesa total avançou 3,1%, movimento que pressionou o resultado primário no período.
Receita cresce, mas despesas avançam em ritmo maior
A receita total do Governo Central somou R$ 312,0 bilhões em dezembro, alta nominal de 6,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Após as transferências constitucionais a estados e municípios, a receita líquida atingiu R$ 250,1 bilhões, crescimento real de 1,6%.
Entre os destaques do lado da arrecadação estão:
Imposto de Renda, com alta de R$ 6,1 bilhões (+7,4%), impulsionado principalmente pelo IR retido na fonte sobre rendimentos do capital e do trabalho;
IOF, que cresceu R$ 1,9 bilhão (+27,2%), refletindo mudanças na legislação e maior incidência sobre operações de câmbio, crédito e títulos;
Cofins, com aumento de R$ 4,0 bilhões (+12,4%).
Por outro lado, houve forte retração nas receitas de concessões e permissões (-81,0%) e de dividendos e participações (-57,0%), em função de uma base de comparação elevada em dezembro de 2024, quando ocorreram ingressos extraordinários que não se repetiram em 2025.
Despesas sobem puxadas por Previdência e pessoal
A despesa total do Governo Central alcançou R$ 228,0 bilhões em dezembro, crescimento real de 3,1% na comparação anual. O avanço foi puxado principalmente por:
Benefícios previdenciários, que aumentaram R$ 4,9 bilhões (+6,4%), refletindo o crescimento do número de beneficiários e o impacto do reajuste do salário mínimo;
Pessoal e encargos sociais, com alta de R$ 3,9 bilhões (+9,2%), influenciada pelos reajustes salariais concedidos ao funcionalismo federal;
Despesas discricionárias, que cresceram R$ 4,4 bilhões (+14,3%), com destaque para saúde, educação e defesa.
Em contrapartida, os créditos extraordinários caíram 93,4%, em razão da ausência, em 2025, de gastos excepcionais associados às calamidades ocorridas no Rio Grande do Sul no ano anterior.
Déficit acumulado no ano se amplia
No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 61,7 bilhões, superior ao déficit de R$ 42,9 bilhões observado em 2024.
Apesar de a receita líquida ter crescido 2,8% em termos reais no ano, a despesa total avançou 3,4%, mantendo a pressão sobre o resultado fiscal. O desempenho negativo foi fortemente influenciado pelo déficit da Previdência Social, que atingiu R$ 317,2 bilhões no período.
Segundo o Tesouro Nacional, o resultado reflete principalmente o crescimento das despesas obrigatórias, em especial previdência e pessoal, além da redução de receitas não recorrentes observadas no ano anterior.




