Mesmo com a criação de vagas em ritmo mais moderado, os salários continuam crescendo de forma consistente nos Estados Unidos, mantendo a pressão sobre a inflação e reforçando os desafios para a política monetária do país.
Dados divulgados nesta sexta-feira mostram que o ganho médio por hora trabalhada avançou 0,4% em janeiro, acumulando alta de 3,7% em 12 meses. O resultado indica que, embora o mercado de trabalho esteja dando sinais de desaceleração, a renda dos trabalhadores segue em trajetória de crescimento.
No mesmo período, a economia americana criou 130 mil empregos, abaixo de médias observadas em fases mais aquecidas do ciclo econômico. A taxa de desemprego ficou em 4,3%, praticamente estável, mas acima do nível registrado um ano antes.
Os dados revelam um mercado de trabalho dividido: setores como saúde, assistência social e construção continuaram contratando, enquanto áreas mais sensíveis ao ciclo de juros, como atividades financeiras e o governo federal, registraram cortes de vagas.
Para analistas, a combinação de crescimento salarial resiliente com menor ritmo de contratações dificulta o combate à inflação. Salários mais altos tendem a sustentar o consumo e pressionar preços, o que pode levar o Federal Reserve a manter os juros elevados por mais tempo.
Além disso, o relatório trouxe uma revisão negativa expressiva dos dados de 2025, reduzindo o número total de empregos criados no ano passado, o que reforça a percepção de que a economia americana vem perdendo fôlego gradualmente.
O comportamento dos salários deve seguir no centro das atenções do mercado, já que é um dos principais fatores observados pelo Fed na definição dos próximos passos da política monetária.




