O mercado de câmbio iniciou o ano de 2026 com um movimento expressivo de ajuste técnico. Em uma sessão marcada pela liquidez reduzida, característica comum a períodos pós-feriados, o par Dólar/Real (USD/BRL) apresentou a variação mais relevante entre as principais moedas emergentes negociadas localmente, encerrando o dia em queda significativa.
Este movimento reflete uma combinação de fatores técnicos, rebalanceamento de carteiras e a leitura de indicadores macroeconômicos internacionais que continuam a pautar a cautela dos investidores globais.
Detalhes da variação: Dólar vs. Real
No fechamento da primeira sessão do ano, nesta sexta-feira (2), a moeda norte-americana registrou uma desvalorização de 1,2% frente ao real, sendo cotada a R$ 5,4238 na venda. Durante as mínimas do dia, a cotação chegou a tocar o patamar de R$ 5,4195.
Este comportamento destoa de uma tendência clara de aversão ao risco, sugerindo que o movimento foi impulsionado majoritariamente por fluxos pontuais de mercado e ajustes de posições defensivas montadas no encerramento de 2025.
Fatores determinantes para a queda
A análise técnica do movimento aponta para uma reversão do fluxo de saída observado nos últimos dias do ano anterior. Segundo avaliações de mercado, incluindo a de Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, a queda não está atrelada a um fato novo relevante, mas sim a um ajuste de fluxo.
Dois pontos principais explicam essa dinâmica:
- Reversão de Fluxo: Houve um desmonte de posições defensivas em moeda forte que haviam sido estabelecidas antes da virada do ano.
- Baixa Liquidez: Com o volume de negociação reduzido, ordens de venda pontuais tiveram um impacto desproporcional na formação do preço, exacerbando a variação percentual negativa.
O cenário sugere um rebalanceamento de risco das carteiras globais, onde investidores buscam realocar ativos após o fechamento dos balanços anuais.
Cenário Internacional: PMI Industrial dos EUA
Enquanto o mercado local reagia a fluxos técnicos, o cenário externo forneceu dados mistos que mantiveram a cautela no radar. O destaque da agenda econômica foi a divulgação do Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor industrial dos Estados Unidos.
De acordo com dados da S&P Global, o indicador recuou de 52,2 pontos em novembro para 51,8 pontos em dezembro. Embora o resultado tenha ficado em linha com as expectativas de analistas, que projetavam 51,7 pontos, os detalhes do relatório exigem atenção:
- Novos Pedidos: A indústria americana enfrentou a primeira queda em novos pedidos em um ano.
- Emprego e Preços: Houve fortalecimento na criação de vagas, porém as tarifas continuam pressionando os preços para cima.
Esses dados reforçam a percepção de que a economia norte-americana, embora resiliente, ainda enfrenta desafios inflacionários que podem influenciar a política monetária do Federal Reserve nos próximos meses.
O que observar nos próximos dias
Para o investidor, a recomendação é de cautela. Movimentos exacerbados em dias de baixa liquidez, como o observado nesta sexta-feira, nem sempre indicam uma tendência sustentável de médio prazo.
Nos próximos dias, a atenção deve se voltar para a normalização do volume de negociações e para a divulgação de novos dados econômicos que possam confirmar — ou reverter — a trajetória de enfraquecimento do dólar frente a emergentes. O mercado financeiro segue operando com foco em informações concretas e sinais vindos da atividade econômica global para definir o rumo das alocações em 2026.





